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ACUSHNET AVENUE ( Pelos Caminhos de Chiquinho)
ACUSHNET AVENUE ( Pelos Caminhos de Chiquinho)
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Autor : José J. Cabral
Sinopse :
Acushnet Avenue memória dos 200 anos de Relações Consulares Cabo Verde e USA
A bordo de uma qualquer barca baleeira, durante anos, perigosamente cangados borda-fora na cutting stage munidos de espeides, desmancham baleias. Sem ocasião para baldear, o deck à meia-nau mais parece com um matadouro. No seu tabuado escorregadiço e malcheiroso, onde apenas baleeiro experimentado consegue equili-brar-se, lanhos de toucinho, sangue e nacos de carne ensanguentada, misturam-se.
Do traiól a fogo-direto, instalado no tabuado do convés a espirrar labaredas, do toucinho, chafurda borbulhante gordura ardente dentro de grandes caldeirões, até ser vertida para esfriar nos culas de folha de ferro.
A cabeça do cachalote, um manancial precioso de gordura pastosa e branca. A ingratíssima tarefa dos garotos de bordo, enfiados de cabeça, para dentro desses crânios, fétidos como o cú do diabo, para catarem até à última gota o valioso espermacete.
Arpoar, matar, trucidar, liquefazer baleias. Reduzi-las a barris de óleo para engordar a soldada na partilha. Quinhoar o suficiente para cobrir os levantamentos que fez antecipado no depósito do navio - roupa, sapato, tabaco, e ainda auferir em dólares, o correspondente ao ganho da lotaria na qual jogou a pele e a própria vida.
O património baleeiro americano-cabo-verdiano, um legado com
mais de 200 anos de história.
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